Barcelos, 27 de Janeiro de 2011
São duas da manhã, e eu continuo sem dormir. A imagem dele não me sai da cabeça. Relembro-me do momento em que eu e ele nos abraçamos, junto à mesa de madeira velha que estava no jardim. Sentia os seus braços a cercar-me com força, as suas mãos grandes e leves a percorrer-me as costas, e cada vez mais, conseguia cheirar o perfume dele, um cheiro forte e nada mais existia. E não haveria coisa melhor do que continuar assim, no próximo minuto, na próxima hora, no próximo dia.
Mas aquele momento acabou, o teu respirar já não era o mesmo, olhei-o nos olhos e consegui ver um verde amarelado inundado de lágrimas, lágrimas que percorriam o teu rosto e que numa fracção de segundo caíam na relva verde. Havia um brilho intenso nos olhos dele, um brilho que não me sai da cabeça. Como nunca reparei na beleza do olhar dele? Logo a seguir agarrou-me a mão e puxou-me para bem junto do peito dele e disse-me o que mais queria ouvir “eu amo-te”.
E nada será melhor do que ficar junto dele.
Rita Costa

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