Imaginem um cenário: a Primavera, flores a desabrochar e pássaros a cantar. Um pouco lamechas para os dias de hoje, não? Bem, eu cá acho que é lindo mas isso sou eu, uma adolescente deprimida que chora a ver filmes de romance. Não me desviando muito do assunto e imaginando de novo o tão altivo cenário, lugar de excelência das aventuras amorosas, era muito provável depararmo-nos, no século XII ao século XVI, com um jovem casal de enamorados, cujos corações flamejavam de tanto amor que sentiam. Nesse pequeno e tão genuíno pedaço de terra, nessa ilha do amor, eles encontravam-se cercados de imensas plantas exóticas, que circundavam o espaço. O ambiente transpirava paixão. Até o ar passou do seu azul sereno para um vermelho quente. Os rostos estavam colados, era uma postura típica dos enamorados medievais, as vestes tinham o mesmo bordado e a mesma cor de vinho, indicando harmonia e a perfeição dos sentimentos do casal.
As mãos desenhavam o mesmo tema no vento sereno e fresco. A donzela impedia, num modo suave, o avanço do cavaleiro, com a sua mão esquerda tocando no seu peito bem estruturado. A sua atitude era contida, não demonstrando interesse enquanto que o cavaleiro, apaixonadamente ousado, a abraçava com a sua mão esquerda envolvendo-a no seu ar quente e natural. A sua mão direita, insinuante, acariciava a sua face lisa e suave exprimindo o seu desejo de fundir o seu corpo com o da sua amada. Entregando-lhe uma “copo-de-leite”, planta aquática branca em formato de um copo semicónico que é considerada erótica por possuir um talo arredondado em torno do qual se desenvolve o resto da flor, exalava uma fragrância suave e adocicada convidativa ao amor.
A água cristalina que os cercava reforçava a ideia de que o cenário estava repleto de amor, paixão e fogo, idealizando a intimidade do casal. Juntando a toda esta imagem, aos nossos olhos demasiado perfeita, o cavaleiro declarava-se cantando-lhe, ao mesmo tempo que lhe prestava vassalagem, o poema que tinha escrito. Idolatrava-a, rebaixava-se “colocando-a num pedestal”, a única perfeita aos seus olhos.
Quem nunca escreveu uma poesia de amor? Ter amado, ter sido amado, ter sofrido, chorado e gritado, ter feito sofrer… É algo tão comum, tão actual e antigo ao mesmo tempo.
O amor é um sentimento sublime, uma força unificadora e harmonizadora desde a Grécia Antiga. Nesta, o amor era o tema predilecto e que deu origem a muitas peças de teatro, esculturas, pinturas e monumentos arquitectónicos. O amor sempre esteve presente e era, é, o que liga a sociedade, o que nos liga. O amor é a falta, a necessidade de preservar o que já se conquistou. Existem várias definições para o amor. Há quem acredite que o amor é baseado no puro sentimento, independente de qualquer factor externo e há os que acreditam que o amor é puramente sexual, uma afeição que conduzia à amizade. Mas, todos concordam que o amor é um sentimento superior.
Mas o que pretendo abordar, é o nascimento do amor cortês no século XII, do surgimento desse tipo de conduta masculina refinada e educada em relação ao sexo feminino, ao seu amor. Há séculos que o amor arrasta os homens. Há séculos que a mulher é cortejada quer em prosa, quer em verso. São tão diversos os sentimentos que afloram, mesmo ainda hoje, quando nos deleitamos com amores das histórias de encantar.
Os poetas medievais, apaixonados, derramaram as suas lágrimas e o seu sofrimento pelas suas amadas, pois o amor não era acessível, não era correspondido. É de importância ressaltar o facto de que o sentimento, e o moderno comportamento da submissão masculina em relação a nós, ao “sexo frágil”, à vontade feminina foram “trabalhados” na idade média. Sim, essa mesma! Essa tal época mergulhada no desconhecimento por aqueles que nunca amaram ou, até, por preconceito porque nunca escreveram apaixonados poemas de amor.
Os homens prestavam vassalagem, subjugavam-se aos pés das amadas que não lhes correspondia e, por vezes, os humilhava. O sexo feminino era dolorosamente idolatrado, visto como perfeito através dos olhos dos apaixonados.
O amor é um factor relevante na História de todo o Mundo e comum a todos, até nos tempos da Pré-História. É, portanto, um tema propício para a História bem como, para a sua criação pois é referente ao que é exclusivamente humano. Ao contrário do nosso tempo em que se propaga uma revolução em detrimento do amor, a Idade Média cultivou-o e enalteceu-o criando, a meu ver, uma nova e fantástica forma de relacionamento entre o homem e a mulher que perdurou durante séculos. E, em boa parte, até aos dias de hoje, apesar dos “brutos” (ou até por esses mesmo, porque também amam).
Esses tão apaixonados homens do século XII, propagando esse idealismo, designados de trovadores, deram origem a uma maneira sensível de expressão denominada de amor cortês, muito importante para o estudo da cultura medieval.
Marta Senra, nº24.
As mãos desenhavam o mesmo tema no vento sereno e fresco. A donzela impedia, num modo suave, o avanço do cavaleiro, com a sua mão esquerda tocando no seu peito bem estruturado. A sua atitude era contida, não demonstrando interesse enquanto que o cavaleiro, apaixonadamente ousado, a abraçava com a sua mão esquerda envolvendo-a no seu ar quente e natural. A sua mão direita, insinuante, acariciava a sua face lisa e suave exprimindo o seu desejo de fundir o seu corpo com o da sua amada. Entregando-lhe uma “copo-de-leite”, planta aquática branca em formato de um copo semicónico que é considerada erótica por possuir um talo arredondado em torno do qual se desenvolve o resto da flor, exalava uma fragrância suave e adocicada convidativa ao amor.
A água cristalina que os cercava reforçava a ideia de que o cenário estava repleto de amor, paixão e fogo, idealizando a intimidade do casal. Juntando a toda esta imagem, aos nossos olhos demasiado perfeita, o cavaleiro declarava-se cantando-lhe, ao mesmo tempo que lhe prestava vassalagem, o poema que tinha escrito. Idolatrava-a, rebaixava-se “colocando-a num pedestal”, a única perfeita aos seus olhos.
Quem nunca escreveu uma poesia de amor? Ter amado, ter sido amado, ter sofrido, chorado e gritado, ter feito sofrer… É algo tão comum, tão actual e antigo ao mesmo tempo.
O amor é um sentimento sublime, uma força unificadora e harmonizadora desde a Grécia Antiga. Nesta, o amor era o tema predilecto e que deu origem a muitas peças de teatro, esculturas, pinturas e monumentos arquitectónicos. O amor sempre esteve presente e era, é, o que liga a sociedade, o que nos liga. O amor é a falta, a necessidade de preservar o que já se conquistou. Existem várias definições para o amor. Há quem acredite que o amor é baseado no puro sentimento, independente de qualquer factor externo e há os que acreditam que o amor é puramente sexual, uma afeição que conduzia à amizade. Mas, todos concordam que o amor é um sentimento superior.
Mas o que pretendo abordar, é o nascimento do amor cortês no século XII, do surgimento desse tipo de conduta masculina refinada e educada em relação ao sexo feminino, ao seu amor. Há séculos que o amor arrasta os homens. Há séculos que a mulher é cortejada quer em prosa, quer em verso. São tão diversos os sentimentos que afloram, mesmo ainda hoje, quando nos deleitamos com amores das histórias de encantar.
Os poetas medievais, apaixonados, derramaram as suas lágrimas e o seu sofrimento pelas suas amadas, pois o amor não era acessível, não era correspondido. É de importância ressaltar o facto de que o sentimento, e o moderno comportamento da submissão masculina em relação a nós, ao “sexo frágil”, à vontade feminina foram “trabalhados” na idade média. Sim, essa mesma! Essa tal época mergulhada no desconhecimento por aqueles que nunca amaram ou, até, por preconceito porque nunca escreveram apaixonados poemas de amor.
Os homens prestavam vassalagem, subjugavam-se aos pés das amadas que não lhes correspondia e, por vezes, os humilhava. O sexo feminino era dolorosamente idolatrado, visto como perfeito através dos olhos dos apaixonados.
O amor é um factor relevante na História de todo o Mundo e comum a todos, até nos tempos da Pré-História. É, portanto, um tema propício para a História bem como, para a sua criação pois é referente ao que é exclusivamente humano. Ao contrário do nosso tempo em que se propaga uma revolução em detrimento do amor, a Idade Média cultivou-o e enalteceu-o criando, a meu ver, uma nova e fantástica forma de relacionamento entre o homem e a mulher que perdurou durante séculos. E, em boa parte, até aos dias de hoje, apesar dos “brutos” (ou até por esses mesmo, porque também amam).
Esses tão apaixonados homens do século XII, propagando esse idealismo, designados de trovadores, deram origem a uma maneira sensível de expressão denominada de amor cortês, muito importante para o estudo da cultura medieval.
Marta Senra, nº24.
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Sem tirar mérito aos outros textos, este, com uma ligeira correcção linguística e estrutural, estaria muito bem na revista da escola...
ResponderEliminarAinda bem que gostou!
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