
Vagas foram as palavras que trocamos à cerca do nada. Acorriamos às carícias em substituto das palavras fingindo que tudo estava perfeitamente esclarecido mas, na verdade, nunca percebia absolutamente nada. Como se fosse fácil entender-te…
Penso que em todo este tempo nunca me encaraste como pessoa comum, igualizaste-me a ti. Mas isso era impensável, tu eras um poeta!
Admirava-te e adorava-te pois eras o mais perto da perfeição que alguma vez conheci. Por diversas vezes te questionava o que vias em mim e tu respondias-me, com um leve beijo na testa: Tens em ti o meu destino!
Continuava sem perceber e confusa confortava-me no teu corpo. Era tão inocente!
Eu não me importava com mais nada sem seres tu, andei perdida, demasiado ocupada a alimentar o meu fascínio por ti. Deixei de ver a realidade acreditanto, somente, no mundo perfeito que criaste para mim. E não me importava nada, era feliz…
Tu sabias que eu estava feliz, que te adorava e que te dependia. Sabias que se me deixasses eu deixava de ser eu, perdia a identidade mas nem isso te impediu de ires embora. Acho que nem pensaste no ser vulnerável que deixavas para trás.
Tudo o que sentia por ti ainda sinto, tenho de admitir. Não te odeio, sou incapaz disso. Odeio-me a mim por te depender tanto, por gostar tanto de algo que já há muito é passado.
E,depois de tudo, percebi o que querias dizer com o “Tens em ti o meu destino”. Ao deixares-me para trás formaste um eclipse. Tornaste-me poeta. Afinal, amavas-me pois deste-me o mundo…
Marta Senra, nº24.
Gostei muito deste, continua a dar-lhe ;)
ResponderEliminarObrigada meu grande amigo. Ainda bem que gostaste!
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